Data Publicação: 10/02/2026
Redação: SARAH MARMO AZZARI
Rápida chegada da criança à unidade e a resposta imediata da equipe multiprofissional foram decisivas para salvar sua vida e evitar sequelas.
O que parecia ser só mais um dia normal na rotina do Hospital Municipal Pedro II, no Rio de Janeiro, se tornou um período desafiador para toda a equipe. No dia 9 de dezembro, a pequena L., de um 1 e 5 meses, deu entrada na unidade correndo alto risco de morte por um ferimento à bala na perna esquerda.
A criança e seus pais estavam no carro quando sofreram um ataque criminoso na Avenida Brasil, e os dois morreram na hora. Por coincidência (ou providência divina, alguns diriam), profissionais do programa Cegonha Carioca estavam próximos ao local para abastecer a ambulância e foram acionados por civis para socorrer a criança.
Em cinco minutos, graças à agilidade e destreza do motorista, L. chegou ao CER Santa Cruz, porta de entrada do HMPII, onde a equipe do centro cirúrgico estava de prontidão para a cirurgia de retirada do projétil e estabilização do quadro neurológico.
Dali em diante foram muitos desafios: risco de parada cardíaca pela pressão arterial estar em 6 por 0 e grande possibilidade de amputação da perna baleada.
"O tratamento mobilizou praticamente todo o hospital. Ela perdeu todo o sangue duas vezes, fraturou o fêmur", relembra Júlio Coelho, médico coordenador do setor de pediatria do HMPII.
Durante os quase dois meses de internação, a bebê contou com o suporte de uma equipe multiprofissional, incluindo neurocirurgiões, intensivistas pediátricos, técnicos de enfermagem, enfermeiros e fisioterapeutas, além dos serviços de nutrição, assistência social e psicologia e todo suporte das áreas administrativas e de apoio.
Segundo Itamar Monteiro, diretor administrativo do Hospital, o compromisso dos profissionais foi não somente lutar pela sobrevivência da paciente, mas que ela pudesse viver com qualidade. "O foco não foi apenas salvar sua vida, mas garantir que ela saísse sem sequelas graves, apesar da gravidade do ferimento", comenta.
Após 52 dias de internação, a equipe pôde respirar aliviada. L. estava pronta para ir para casa - cheia de vida, sem sequelas e com as duas perninhas saudáveis para recomeçar sua caminhada, que será feita ao lado da avó paterna.
"Este caso evidenciou o compromisso, a serenidade e a dedicação da equipe no cuidado aos pacientes, sempre buscando, de forma contínua, o melhor tratamento possível", pontua Priscila , coordenadora médica.
Volta para casa emocionante
A alta de L. teve direito a comemoração de toda a equipe, que ao organizar um corredor de aplausos para celebrar a vida da pequena, relembrou cada etapa experienciada no Hospital, desde o coma até os primeiros sorrisos e a volta dos movimentos.
"É um milagre vê-la saudável, com as pernas em funcionamento. Importante agora é a fisioterapia, principalmente pelo longo período por aqui", finaliza o Dr. Júlio.
O Hospital Municipal Pedro II é uma unidade da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, gerenciada em parceria com Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) - uma das maiores Organizações Sociais de Saúde do Brasil - por meio do Programa de Atenção Integral à Saúde (PAIS), que realiza atualmente o gerenciamento de 363 unidades de saúde, estando presente nos municípios de São Paulo (SP), Santo André (SP), Diadema (SP), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS).