Meu filho autista

CAPS Infantojuvenil Sapopemba promove momento para troca de experiências e orientaçõesautistaSímbolo mundial de conscientização sobre o autismo
 
 
Em abril, mês marcado pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo (2 de abril), a unidade contou com a presença de uma especialista no assunto. Eliana Boralli, fundadora e Superintendente da Associação dos Amigos da Criança Autista (AUMA), conduziu uma roda de conversa com pais de usuários atendidos pelo CAPS.

Formada em Assistência Social e pós-graduada em Psicomotricidade, Psicodrama e Pedagogia, Eliana é também escritora e autora. Suas publicações vão além do conhecimento técnico, pois contam com uma formação que a própria vida lhe proporcionou: Eliana é mãe de Nathalia, autista de 31 anos.
 
A atividade foi realizada com um tom informal, a fim de que os presentes ficassem à vontade para expor dúvidas e anseios sobre os desafios de criar seus pequenos. “O grande problema do autismo é que ele dá trabalho, é artesanal”, pontua Eliana, referindo-se à dedicação constante necessária para alcançar alguma evolução.
 
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Eliana fala aos presentes
 
 
Na ocasião, a profissional sugeriu que os pais adotem o hábito de fazer registros diários em um caderno. Segundo ela, as anotações podem ajudar a identificar sinais sutis e antever determinadas situações que não são verbalizadas pelos filhos, como diarreia e convulsões.

Isso porque o transtorno do espectro autista é um distúrbio no desenvolvimento causado por condições genéticas e ambientais, e tem como uma das principais características o comprometimento da comunicação e da socialização do indivíduo, dificultando a identificação de sintomas como dor e tristeza.

Ao longo da conversa, Eliana compartilhou algumas experiências vivenciadas com a filha e com os alunos da AUMA. A observação de sinais que Nathalia dava quando estava com sintomas de tensão pré-menstrual, por exemplo, foi fruto de anotações diárias. “Nós precisamos desenvolver nossa sensibilidade do olhar pensante. Não adianta ver, tem de entender aquilo que você está vendo”, orienta Eliana.

A comunicação com autistas não verbais foi um dos tópicos abordados, atendendo à solicitação de uma das mães presentes, que enfrenta dificuldades com o filho de 4 anos. A importância de utilizar recursos visuais e de focar uma coisa de cada vez, ao invés de dar muitas opções de escolha ao pequeno, foi uma das orientações passadas por Eliana.

Dúvidas sobre medicação também surgiram durante o encontro. Neste caso, foi reforçada a importância de os pais observarem a reação dos filhos aos medicamentos adotados e compartilharem com os profissionais responsáveis quaisquer mudanças que tenham ocorrido. “Quem melhor conhece nossos filhos somos nós, então temos um trabalho riquíssimo para complementar o trabalho do Psicólogo e do Terapeuta”, observa Eliana.

O fato de que o autista possui todos os sentidos (tato, visão, olfato, paladar e audição) comprometidos, seja para mais ou para menos, foi outra informação divulgada durante o bate-papo.

Por fim, Eliana foi questionada sobre como lida, pessoalmente, com as questões da filha autista, a fim de compartilhar suas impressões com as mães presentes. “Converso muito com Deus; aprendi que o melhor sentimento que precisamos ter é humildade e aceitação. O meu suporte é saber que o amor pela minha filha é maior que a dor que sinto pelo autismo”, conclui.
 
 
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Profissionais do CAPS (à esquerda) posam com Eliana e professora da AUMA
 
 
O CAPS Infantojuvenil Sapopemba é uma unidade da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo gerenciada em parceria com a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, organização social de saúde.